Sábado, 13 Março 2010
…pensamentos imperfeitos.
…ouça enquanto lê: http://www.youtube.com/watch?v=rD4gWvTXj44&feature=PlayList&p=5768A7EAF127FEC5&playnext=1&playnext_from=PL&index=2
… caminhava em silêncio distraído e concentrado. vagava aqui, acolá. olhava centenárias raízes de ávores e pensava que raízes e origens sempre tão significativas não faziam mais sentido. o instante, o fragmento, a duração eram a interpretação das partes sem conexão [aparente]. O mar, o sol, as árvores, as folhas verdes e densas redesenhando lugares entre fios de luz incontidos eram tudo – a perfeição da forma e da intensidade.
as águas faziam parte de sua vida. as águas líquidas do corpo. as águas da natureza. as águas que conferiam prazer irresistível. águas; – tão simples. havia um cansaço, uma exaustão de consumo e apego a toda e qualquer forma de desejo não espontâneo; portanto, todos. Todos que colocam o ser humano, como um objeto amorfo, sem vontade, nem inteligência. Esse consumo desesperado, capitalista, aguça o desejo e abole o ter que, ao ser adquirido, já era. perdido e lixo a ser liberado sem violentar a natureza. compra o luxo e joga o lixo. algo novo no ar excita sentidos de compra. compulsão. a praia, o mar, as férias, o lazer, o estudo, os objetos ofensivos e inofensivos… tudo. tudo é possível.
caminhava. meio tonta, meia esperta, meio tola, meio inteligente, navegando em mares sub-explorados do saber paradoxal;- como qualquer ser humano. o homem vestido de baiana vende acarajés na praça, mas só mulheres vendem acarajés [vista-se de mulher, embora pareça ambíguo]. nada, nada mais importa. tudo é aceito [in]confortavelmente. e importa? who cares? o índio nú sai da praia correndo, mostram; - se fosse índio não precisaria correr, seria gay?, perguntam. não importa. a dubiedade e a incerteza fazem parte do jogo. o grande teatro da vida [em-cena], o melhor de todos – o real misterioso.
…e caminhava. entre cores, sons, luzes, frases soltas. desconcerto e paradoxo.

… nesta semana ouvi que 95% das demissões nas empresas são consequência de postura e comportamento; não por problemas técnicos. Isso não me espanta. O último dado de pesquisa que eu vi referia-se a que ‘85% do emprego está pautado na comunicação’. Postura e atitude integram a comunicação e fazem diferença na carreira.
… incrível como no mundo dos negócios, management, ainda se ouve enfáticos ’não concordo’! Como se alguém esperasse anuência, no caso, um superior na hierarquia. Num diálogo qualquer, esta afirmação (não concordo!), estabelece aquilo que chamo de ’muro de berlim’ entre as partes. Cria uma barreira instransponível, pelo menos no momento da fala. Simbolicamente os tijolos desse muro se erguem e qualquer conversa a seguir cai no vazio, porém com muitos outros significados que permitem diversas leituras… aliás, livres em cada mente.
bem… se ir ao Peru não é complicado… artigo datado, claro. continuo dizendo o mesmo, porém há que se considerar o momento.
Ir ao Perú não é complicado; relativamente perto, seguro, barato com muitas opções. A natureza justifica uma viagem, una-se a ela a cultura inca, entre muitas outras tão preciosas quanto, além do misticismo que envolve o lugar.
a madrugada avança. calo-me na quietude eterna. melodias anestesiam minhas veias; sangue alvoroçado. entre compassos, movimentos exalam o tempo que atropela o futuro. não sabia. não sei. devaneio entre artistas que inventam conteúdos, formas e sons que entretecem meu instante. (des)cubro. abro e fecho. mas nunca encerro. a finitude não me é próxima. entre huis clos sentidos se expandem. a flor. a pedra. a cordilheira. o rio selvagem. caminham comigo. também o pueblo, a tribo, o planeta, o haiti. a humanidade que paira sobre mim e amortece sentimento. não sabia. nessa trilha pensamos o mesmo. o estranhamento. a imensidão. a perplexidade. a grandiosidade. a diferença. nessa trilha… não saberei.
…pessoas nos chamam de “amiga”… frutas, legumes, cereais diversos, os 35 tipos de maiz, milho com graos enormes. a comida apimentada, colorida, bem temperada; sempre boa. abacates, pimentoes, quinua, espinafre, o pisco, bebida que aquece. a cerveja cusquenha, deliciosa segundo alguns. a inka cola. o mate de coca, chá com folhas frescas de coca para combater o mal da altura – respiraçao frágil. pedras por todo lado. ruas estreitas. igrejas,companhia de jesus e dominicanos, monastérios. ali, no outro lado da rua a cultura inca. os jogos de xadrez de madeira ou cerâmica em que figuras incas disputam com espanhóis. as tessituras em cores espantadas, artesanato rico y hermoso. as danças folclóricas e o festival da cidade de Puno – carnaval local -, segundo informaçoes, a segunda maior festa da América do Sul, após o carnaval brasileiro, claro. a música quechua, a música folclórica,a música peruana. os instrumentos de sopro e sons delicados, românticos, amorosos. situaçoes em que você quer gastar e nos dizem que nao vale a pena. o agradecimento a cada gorgeta. os perros, cachorros pela rua, animais respeitados. a diferença entre os pueblos dos andes e os pueblos do litoral; objeto de estudo e tema na literatura. o brilho da prata e das pedras. o olhar para as montanhas que nos cercam. o ouvir flautas e estrangeiro pelas ruas. o sentir cheiros estranhos, além da dimensao da terra. o falar com acentos de idiomas vários; multicultural. o tato das mantas de alpaca.
…é cedo. sempre cedo quanto temos que ir. é triste dizer adeus. é triste despedir-se sem data marcada. deixar para trás magnitude. silêncio. quietude. natureza com voz selvagem; rebelde. indomável. estelas, estrêlas misturadas com picos escuros diante da luz acinzentada do céu. o som do rio, volume de água que apaga ruídos. passos na ponte pencil de madeira. gente que trilha. pueblos de vale sao diferentes de pueblos de beira-rio, diferentes de pueblos de ilhas, montanhas e beira-mar. estranho ponto do mundo, escondido. pueblo que acredita no sol e na lua. hasta luego.
…inebriante.






