Quarta-feira, 21 Julho 2010

…excessos.

BarbaraKruger-All-Violence-is-an-Illustration-of-a-Pathetic-Stereotype-1991… sabe quando o tico quer correr para um lado e o teco fugir para o outro? Você quer sentar com amigos e conversar bobagens interessantes, entorno de boa comida e vinho daqueles… música especial, esquecer que existe tempo. Ao mesmo tempo você gostaria de navegar pela Internet descobrindo, lendo, ouvindo o que gosta. Quer trabalhar, mas quer não fazer nada. Quer ler o livro que comprou, mas a preguiça ou o cansaço espantam a vontade. Ir ao cinema? Jantar em algum novo lugar? eh….!

No meio disso tudo..  O jornal que você assina a vida inteira te surpreende. Não! Não o surpreender esperado do cliente na superação de expectativas. Mas o vazio da leitura. De repente, de um dia para o outro, vira uma camada de pó superficial descartável. Não se guarda mais nenhum artigo,  reportagens… E algumas tantas matérias  você tem vontade diária de escrever algo ao jornal, por uma razão ou outra, mas se vê em meio ao caos. De tão atualizado, perdeu-se. Cada página você precisa acessar um local on-line, ou muitas opções como blogs, etc. Ou seja, de tão comunicacional, espanta qualquer vontade de  acesso.  O esperado caderno especial, que abastecia a leitura dominical, passa-se o ôlho numa leitura dinâmica e…  não sobra nada. Eu mudei? Ou o jornal está compatível com nosso tempo escorregadio. E isso me sofre. 

Ainda gosto de um jornal, uma leitura que faz minha cabeça. Tenho prazer em pensar.  Cancelo a assinatura? Assino um outro? E o prazer de esperar o barulho da moto e do jornal atirado? Agora… algumas vezes nem vou buscar. É  minha tola rebeldia. 

Os noticiários dão conta de escândalos sem fim. Apocalipse, dizem alguns. Coisas do diabo, dizem outros.  Está na Bíblia, gritam os que anunciam o final dos tempos.  Os excessos em tudo  nos torna espantados. Com o que dizem. Com  o que falam. Com o que escrevem. E acima de tudo com o que fazem. Do discurso à ação o passo é ligeiro.  

Parece que não tenho muito a dizer. Tenho sim. Algumas coisas estão trancadas  procurando o seu lugar. Sem excessos, por enquanto. 

imagem: Barbara Kruger

ouça, armand amar:  http://www.youtube.com/watch?v=eNcS6H_ZbOw&feature=fvsr

Quinta-feira, 1 Julho 2010

Wim Wenders e Yamamoto

20080320_gypsy_33… foi  ainda em 1989 que Wim Wenders fez o filme ‘Notebook on Cities and Clothes’ [Identidade de nós mesmos] sob encomenda do fabuloso Beaubourg,  o Centro George Pompidou, Paris. Pediram-lhe um breve filme sobre moda, o contexto da moda.  E nos maravilhamos com o documentário sobre Yohji Yamamoto. Uau, dois monstros em suas profissões.  Wenders conseguiu captar a essência do estilista e a sensibilidade que consegue passar no filme é ímpar. Além do diálogo, ainda atual, com as mídias já naquele ano; – ano da queda do muro de Berlim. De Paris para Tokyo, os contrastes entre as duas cidades, sua dinâmica cosmopolita, sua contemporaneidade e o uso da câmera com seus intervalos, timing exato em cada cena, cortes, closes, edição de material fantásticos. Os silêncios de Yamamoto. Suas mãos que falam. O deitar-se no chão cercado de moldes com seus auxiliares. Um filme atemporal pela filosofia de ambos, um  na leitura de outro.  O livro, ‘Pessoas do século XX’, do fotógrafo August Sanders como elemento inspirador de Yamamoto. O livro repleto de post-its que caminha ao seu lado; fotos de pessoas em diferentes situações, profissões, idades. Gente real. 

O fio com que Yamamoto tece seu trabalho, obra, criação não perde nunca seu rumo, sua aparente tranquilidade oriental. Traz lá da infância o gosto pela costura [sua mãe era costureira] e  pesquisa a textura  para cada coleção; parte dela para criar. The fabric. A explicação sobre sua inquietude com as dobras que se formam no ombro de uma camisa quando vestida, sua indagação filosófica sobre isso, sua leitura do corpo, da pessoa, da roupa como forma. Sim, para ele é a forma que conquista supremacia e nada pode interferir nessa opção. Nem a cor. Por isso a predominância de preto. Mesmo o cinza interfere. Wenders consegue traduzir sua linguagem, sua expressão coerente, cheia de essência, explícita em formas. 

Yohji Yamamoto não é uma grife. É um modo de ser.

‘Filmmaking… should just remain a way of life sometimes, like taking a walk, reading a newspaper, eating, writing notes, driving a car or shooting this film here, for instance, made from day to day, carried along by nothing other than its curiosity — a notebook on cities and clothes.’  Wim Wenders

veja: http://www.wim-wenders.com/ 

imagem: The gypsy, ‘Pessoas do século XX’, by August Sanders

Terça-feira, 8 Junho 2010

um filme.

va_vis_et_deviensouça: http://www.armandamar.com/french/index_d.php

Va, Vis et Deviens (Um herói de nosso tempo). Um filme de 2005, direção do romeno israelense Radu Mihaileanu, belíssimo filme. Não conseguimos desgrudar… Nove prêmios e seis indicações fazem do filme uma indicação fácil. No entanto, não sei se todos aguentam a dose de realidade. Salomão, o personagem central, um menino negro, cristão etíope de nove anos, se faz passar por judeu quando Israel reconhece como judeus, genuínos negros Falashas da Etiópia em 1980. Chegam ao Sudão a pé  e de lá são transportados para Jerusalém de avião. Sua mãe verdadeira, lhe faz partir, com a frase que dá nome ao filme: ‘Vá, viva e tranforme-se’  cuja tradução oficial não faz sentido. E ele acompanha uma outra mãe,  judia, que havia perdido seu filho que morre também. Chega só em Israel e é adotado por uma família. Sua vida é uma via crucis, uma saga e aí sim, a tradução faz jus, até certo ponto.  

Quem são os heróis de nosso tempo? Vencedores, pessoas de sucesso, pessoas que se projetam, se espetacularizam, estética antes da ética. Não é seu caso. Ele é um vencedor, sem dúvida, mas não sob os olhos de nosso tempo efêmero.  Ele vai, vive e se tranforma, como lhe disse sua mãe; volta como médico do ” Sem Fronteiras” , após uma formação em Paris, casado com  Sarah, judia que perde seu status pelo casamento. Sensível, sofre tudo que é possível um ser humano passar. A tragédia humana está presente, em suspense,  durante o filme.  A tensão equilibrada de modo sutil. 

O preconceito é nítido, ostensivo, radical. Relacionamentos diversos com amigos, autoridades, paterno, materno (sua mãe verdadeira, a adotiva), fraternais, colegas de escola…  e a saudade de sua mãe.  A dificuldade de compreensão: por que ela o teria feito partir? A carência, a falta, a perda, a raiva, a revolta, a dor, a incompreensão, a aguçada sensibilidade são elementos bem trabalhados de modo real. Salomão é universal. Somos todos Salomão. O menino que vai. Fica. E volta. Mas sua identidade é um mix paradoxal. Fala seu idioma de origem, hebraico, francês. Nasceu na Etiópia, mas vive em Jerusalém e Paris. Que terra é a sua? 

Bem… a análise fílmica fica de lado porque fui envolvida pelo enrêdo, fotografia, iluminação e, nesse emaranhado de delícias tristonhas assim como é a vida, esqueci de ver o filme enquanto filme.

Cenas: a despedida de sua mãe original; o desespero de Salomão, em Israel, ao tomar banho de chuveiro quando deseja segurar a água que escapa pelo ralo, na Etiópia ela  é escassa; quando tira os sapatos para caminhar na terra;  o reencontro com sua mãe e o grito primal.  

Sim, ele encontra sua mãe na Etiópia.

A música sugerida é o tema do filme do compositor contemporâneo Armand Amar francês de origem marroquina, nascido em Jerusalém.

Sexta-feira, 4 Junho 2010

…eco!

questões cotidianas.

  • você separa o lixo de casa?
  • separa: orgânico, lata, vidro, plástico, papel?
  • lava as embalagens plásticas, vidros e latas?  é mais econômico.
  • sabe que o papel  não amassado vale mais?
  • você joga papel na rua ou… fora de lixeira?
  • quando sai do cinema leva o pacote de pipoca, coca etc. até uma lixeira?
  • tem lixeirinha no carro?
  • quando sai da praia deixa tudo limpo?
  • conhece a cadeia produtiva das marcas que consome? isso faz diferença para você?
  • já começou a economizar saquinhos plásticos em suas compras?
  • entrega pilhas usadas em locais de recebimento?
  • entrega óleo de cozinha usado em locais de recebimento?
  • e outras

isso é o básico. mas tem tanta gente que se assusta quando falo que separo o lixo em cinco; que recuso saquinhos na farmácia, no vídeo, nas pequenas coisas. 

mas isso não é nada. feio mesmo (e como tenho visto!) é mulher ir ao banheiro (shoppings) e sair sem lavar mão. ou sem dar descarga. falta de educação? etiqueta? respeito? higiene mesmo?

coisinhas básicas  do dia a dia que fazem diferença.

ouça: Glenn Gould  http://www.youtube.com/watch?v=wyOf_L4cNHc&feature=related

Terça-feira, 1 Junho 2010

…sempre fizemos assim.

  Humanneeddesire…algumas coisas me encanam. É tão déjà vu encontrar nas empresas um dinossauro (sorry!), okay dino para os amigos, que ao começar um novo trabalho sentencia: ‘mas sempre fizemos assim…’ e isso é tão velho, que escutar essa frase numa agência de publicidade soa caricato. Ou ironia. Ou é daquelas que uma vez a conta ganha, sentam em cima do cifrão. Bem, é lamentável porque Curitiba segue com seu ar provinciano e apesar de tantos avanços escorrega onde não deveria. Um tipo de empresa que deveria ter olhos no futuro.

A sorte é que mudanças e transformações são inevitáveis e os tempos avançam sem trégua. Quem ‘não muda’  morreu e não sabe. Gente, o planeta gira. Essas coisas me tiram tanto do sério que mergulho no mundo da arte. É o que nos salva diante da ignorância no sentido filosófico, o desconhecimento.  (Mas ainda acho que numa agência é sarcasmo).  Pelas empresas, a resistência acontece em frases como ‘ já fizemos isso e não deu certo’, ‘não se mexe em time que está ganhando’ , sempre fizemos desse jeito… e assim por diante.  Pela minha experiência, essas pessoas ficam pelo caminho, ou seja, não  suportam evolução, mudança, inovação e acabam por buscar outro emprego ou são convidadas a sair.  E não acredito que volte a este tema no século XXI, tempos líquidos, digitais, de redes múltiplas, instantâneo. Tempo de se reinventar o tempo todo. Pessoas, empresas, instituições. (Lembrei do Congresso! Que vergonha! Eles se reinventam, fazem plásticas há, há!!!).

Vamos para um universo mais palatável, não de sonhos, universo real daqueles que usam a expressão como meio – os artistas. Mundo em que ‘eu sempre fiz assim’ … não tem lugar porque a inovação, a transgressão, a criação, a ousadia  estão em movimento constante, e para quem é bom, sempre à frente de seu tempo. Muitas vezes, incompreendido como pessoa ou pela obra. Van Gogh só teve um quadro vendido em vida. Em compensação é bom apreciar trabalhos com os de Bruce Nauman, Adrian Piper, Demian Hirst, Inka EssenHigh, Ellen Gallagher, Lee Bontecou entre tantos outros. Perguntam-me onde buscar harmonia, bom gosto, como aprimorar… Duas maneiras: imersão de natureza, a eterna fonte, e arte. Muita e muita arte. Precisa mais? 

ouça: http://www.youtube.com/watch?v=gh_9leIFl7Y  [lembrei dessa música ao pensar em repetição de comportamentos]

imagem: Bruce Nauman, humaneedesire. Figura entre os 100 melhores artistas atuais.

divirta-se com o trabalho de Anis Kapoor: http://www.anishkapoor.com/

Quinta-feira, 20 Maio 2010

Lou Reed & Laurie Anderson

Laurie… uma exposição de Laurie Anderson no Guggenheim Soho, anos atrás, me impressionou. Se arte deve tocar, fiquei magnetizada. Sensação, tecnologia, conteúdo, sensibilização, pertencimento universal, integração. Ficaria imersa por horas… como fiquei. Um pequeno e impecável travesseiro quente nos esperava, em meio a outros objetos-instalações que nos conectavam. Deitei a cabeça, suavemente, como quem teme ‘estragar’  a obra. Início da arte interativa. Pessoas  ressabiadas, ambiente escuro, sem luz, salvo a de cada obra exposta.

Na sala ao lado, ela ‘ falava’  no nível do chão, por meio de minúscula imagem sua, como que recortada de um todo e eu não sabia o que era mais denso, se o texto proferido, ou a própria imagem que só vi uso similar tecnológico, anos depois em visita a  fábrica Toyota no Japão. Joguei-me ao chão. Olhei. Escutei. Submersa em pensamentos rarefeitos que não vou lembrar, salvo a marca, a forte impressão.

Alguns artistas são assim. Deixam marcas na memória da célula, do tempo, da imagem visual. Memória quando relida, diferente, como a minha agora. A rememoração-lembrança nunca é a mesma. Naquele instante ela foi futuro, visão, abertura.  Assim como diante da obra de Vincent Van Gogh revisitei passado, genialidade, loucura saudável. O mundo normal é dos loucos. Criativos. That’s it.  

Lou  Reed [Velvet Underground], marido de Laurie  Anderson (what a couple!), vem para a Festa Literária Internacional de Paraty [FLIP] entre 4 e 8 de agosto 2010. A  Editora Companhia das Letras lança “Atravessar o Fogo” , livro que reúne 310 músicas de Lou. Um passeio por seus sites atualiza o que fazem… 

veja: http://www.loureed.org/00/index.html

veja: http://www.laurieanderson.com/

imagem: http://www.laurieanderson.com/appearances/index.shtml#JANtoAPR

Quinta-feira, 6 Maio 2010

isto e aquilo

20091124021808_DexterDalwoodSunny…pois bem. esta é a política. manchetes da Folha de São Paulo, 6 de maio. (sem ler as matérias e/ou reportagens)

quer escutar enquanto lê? parece os passos do Brasil: http://www.youtube.com/watch?v=RcyKlRv1BRk

Presidente defende Tuma Jr. de acusações: não tenho a menor ideia sobre as ações de  Tuma Jr,. mas não acho que caiba a um estadista,  um presidente da República defender ou não certas pessoas. até porque o presidente Lula defendeu no passado o Deputado Roberto Jefferson e queimou a mão. lembram? o episódio dos 40 ladrões, capa de Veja.  além disso, e sobretudo, um presidente deveria estar pensando em coisas, digamos sérias para o país (isso seria  sério e eu é que estou sendo ingênua?) como as alianças do país com o Bric, neste momento as negociações ou não em sua visita ao Irã. as delegações do Brasil, China, Rússia, Turquia não se retiraram após a fala de Ahmadinejad. há! e ontem (ou anteontem) parece que o Presidente da República esteve opinando, à portas fechadas com a camarada, ops, candidata Dilma,  sobre as roupas que ela usa em campanha… e nós pagamos impostos para isso? Paulo Li??!! de onde surgiu isso??

Para bispo, tocar adolescente não é pedofilia: gosto sempre de saber do que estamos falando. o que define ser adolescente hoje?  a idade? se for, conheço algumas mulheres  maduras (para não dizer idosas) em plena adultescência… um absurdo. voz fina, trejeitos infantis ou adolescentes, roupas, cabelos, e eteceteras… inacreditáveis. de mau gosto mesmo. emocional? voltando a Igreja Católica que é o que interessa enquanto instituição representativa de milhões de pessoas. o que está, de fato, acontecendo? com a palavra a liderança. (se não estou enganada, parece que na Bíblia está escrito: “crescei-vos e multiplicái-vos”.)  mas  padres não podem casar. não sei se isso daria jeito nos pedófilos, mas essas instituições ‘ homosexuais”  não deixam de ser estranhas com suas clausuras cerradas.  o assunto é polêmico e desconfortável porque revela um lado obscuro, sombrio, podre do ser humano imperfeito, de nossa humanidade. sim, essas coisas existem e veem à tona nestes dias. há! e o quê esse bispo quer dizer exatamente com  ”tocar em adolescente” ? by the wayuma massagista no Canadá, a cada vez que muda o local onde toca o corpo do cliente, pede licença, e é preciso ter o ” de acôrdo” senão ela perde a licença de trabalho profissional.

há!  Hiperoferta de atrações faz pessoas ficarem em casa. isso eu gosto. me acontece e muito. diante de tantas possibilidades, fico paralisada.  quem sabe nossa sociedade de consumo pare de consumir pela exaustão.  seria uma “terceira via”  não planejada. sem nenhum plano econômico, as pessoas ficariam em casa curtindo a família pela overdose de comunicação. pelo excesso. pela violência. pela insegurança. pelo medo. e pelo grande e sustentável prazer.

Dia de fúria (com foto): a situação da Grécia e o desespero em onda  furiosa da população.  população é melhor que o ‘povo’ , muito impessoal, afinal quem é e onde está o povo?? bem, essa os gurus não previram… surprise para todos. um tsunami de papel, o dinheiro que falta. e agora?  responsáveis? previsões? planejamentos? estatísticas? análises internacionais e nacionais?

Pré-candidatos apoiam Lula nas aposentadorias: e quem seria o louco político contra? nessa hora em que cada voto vale ouro? (do jeito que as coisas vão, e pela preciosidade, vale-água). só que no jogo de xadrez o Lula deve vetar as medidas.

 imagem: Sunny Von Bulow de Dexter Dalwwod, 2003, artista finalista do Prêmio Turner. http://www.saatchi-gallery.co.uk/artists/artpages/dalwood_Sunny_Von_Bulow.htm

ok, a imagem é pesada, mas algo está leve nos dias de hoje?

Sábado, 1 Maio 2010

what are you looking for?

Philip GlassUm pouco de Philip Glass…  Fronteiras do Pensamento POA:  http://www.youtube.com/fronteiraspoa#p/u/10/vy00Mg9VjOw

Conheci o Philip Glass, quero dizer, sua música, nas andanças da vida e me apaixonei de imediato. Ao passar por  New York no ano 2000, por acaso li uma acanhada nota sobre um concerto especial;  mudei a data de minha viagem para ter o privilégio de assistir a um concerto comemorativo da virada do milênio numa sala do Brooklyn com o mestre presente e  dois corais, um deles um Coral do Brooklyn (em algum lugar devo ter o programa queme fez chorar) . Estava emocionada.

O repertório composto em 1999 para as festividades do ano 200o com vasta e longa pesquisa do compositor resultou na “Sinfonia no. 5 [Requiem, Bardo,  Nirmanakaya]“.  A Sinfonia foi concebida para o Festival de Salzburg como ponte entre o passado, presente e futuro. O passado representado no ‘Requiem’  envolvendo 9 movimentos até a ‘Morte’. O presente no ‘Bardo’ expressando in-between e culminando com o renascimento como manifestação de iluminação no ‘Nirmanakaya’.  Junto com  James Parks Morton e Kusumita P. Pedersen elaborou um texto vocal que começa antes da criação do mundo, passa pelo paraíso e encerra com uma dedicação ao futuro. Optaram por apresentar textos originais (grego, hebraico, sânscrito, arábico, chinês, japonês e linguagens indígenas) convertidos para o inglês. A obra é preciosa. 

Capas que mantém o idioma original em doze mini álbuns, edição primorosa, acompanham o CD, além de um folder explicativo de uma obra densa de significado e simbologia. Um dos mais influentes compositores do século XX, considerado  minimalista por alguns, rejeita o rótulo e se diz  alguém que ‘repete as mesmas estruturas’; com repertório eclético compôs óperas, concertos, sinfonias, música para filmes, quartetos, solos.

A lista de artistas geniais com quem trabalhou é admirável: Richard Serra, Chuck Close, David Bowie, Doris Lessing, Martin Scorsese, Ravi Shankar, Allen Ginsberg, Brian Eno, Laurie Anderson, Paul Simon, Woody Allen… chega? Tem outros.

para saber e ouvir: http://www.philipglass.com/

Sexta-feira, 30 Abril 2010

HO

helio-oiticica2… a exposição de Hélio Oiticica é uma delícia. Experimentos sem fim. Vesti Parangolés, entrei nos Penetráveis, deitei na cama  “Penetrável”  feita para mendigos dormirem na rua. Sensação estranha. Ele já não está mais aqui. A obra perdura, apesar do incêndio que destruiu parte de suas obras no Rio de Janeiro. Deitar naquela cama tosca nos leva a várias situações; a imaginação flutua no tempo. Quem seria o ” Hélio” da vez?  Lembrei de uma crônica (A mulher da rua) publicada em meu livro “Cidade Estranha” e a cama bem poderia ser a que vi descrita no texto. O destempero da vida. Pode alguém dormir na rua?

Em outra sala, ganhei uma lixa de unha para ser usada enquanto assistia a um vídeo deitada em colchonetes… como quem não quer nada… os três andares do Itaú Cultural – passagem obrigatória para quem vai a São Paulo -  integravam a ocupação de Hélio, um revolucionário. Paulo Leminski foi o último artista da  “ocupação”. Excelente exposição como tudo que ali é apresentado; se supera.  

HO, amigo de Lygia Clark com quem trocou correspondência, cravou seu nome na história da arte brasileira além de conquistar outras fronteiras com sua proposta ousada. Nascido em 1937, estudou com Ivan Serpa, participou do Grupo Frente e logo depois do Grupo Neoconcreto. Integra o grupo que elaborou o Manifesto Neoconcreto do Rio de Janeiro junto com Franz Weissmann, Amilcar de Castro, Lygia Pape, entre outros. Cria o conceito de Metaesquema, inventa os bólides, tendas, capas e estandartes fugindo do bidimensional. Escreve. Sempre. No Itaú  é possível ver sua Tropicália, manifestação ambiental. Irônicamente com pássaros vindos sabe-se lá de que país, pois no Brasil  o meio ambiente não liberou a presença de pássaros originais. Et voilà. De vez em quando a lei parece  funcionar, embora equivocadamente. Mas a intervenção-ocupação-penetrável Tropicália é curiosa e, se intriga hoje, dá para imaginar no século passado.  Cada dia um artista  está presente interagindo com o público que pode , por sua vez, complementar a obra.  E os objetos vão chegando. Um piano, parte da obra, se deixa tocar por quem quiser. Um menino vem sempre na hora do almoço, diz a guia. Todos tocam.

para saber mais: http://www.itaucultural.org.br/efemera/helio.html

HO… tem que sentir, ver, vivenciar, experimentar…  http://www.itaucultural.org.br/aplicExternas/enciclopedia/ho/home/index.cfm

Segunda-feira, 26 Abril 2010

O papel no chão

quer escutar? http://www.youtube.com/watch?v=Q721mactHLQ

mondrianUm presidente de empresa tem uma tese para avaliar funcionários. Homem empreendor, galgou escadas by himself, pela sua visão de oportunidades, trabalho com  afinco e excelência .  Sua teoria é a seguinte. Ele deixa um minúsculo, mas visível papel no chão em frente à sua mesa, de modo que qualquer pessoa que vá à sua sala possa enxergar.  Quando alguém entra, ele observa. 

Considera três atitudes  habituais.  Numa delas, a pessoa vê, se abaixa, pega o papel e olha à procura de uma lixeira  para jogar. Em outra, a pessoa vê, mas caminha em direção à mesa dele como se não tivesse visto, ou seja, passa por cima do papel. E na última, a pessoa vê, contorna para não pisar e se aproxima da mesa.

Imagine qual delas ele contrata, oferece promoção, estimula a carreira? A primeira, claro. A pessoa é atenta ou observadora, sensível, cuidadosa, comprometida, pró-ativa, responsável mesmo com o que não lhe diz respeito e tantas coisas mais. Tudo isso? Não sei com certeza, mas eu também contrataria essa! E  agregaria com facilidade muitas qualidades ou características que me fariam optar por esse perfil. Empresas  e chefias necessitam de pessoas atentas. Aquele que ’simula ou finge não ver’  esboça determinados comportamentos ou jeito de ser. E o que desvia… prefiro me abster de comentar.  Obviamente nenhum chefe ou presidente sai por aí falando que isso acontece, mas na prática, sempre falo que o mundinho empresarial é cruel; o mercado é cruel.

A competitividade é agressiva e esse presidente a que me refiro é um vencedor naquilo que faz. Não há outro modo de sobreviver. Os profissionais precisam dar  resultados, ser proativos, avaliar sua performance. Como?  Uma boa avaliação de potencial faz diferença no projeto de carreira. Ela sinaliza pontos a desenvolver e uma pessoa consciente de suas fragilidades e pontos fortes lida melhor diante de diferentes situações.  Também se pode buscar aprimoramento em palestras, cursos, treinamentos, leituras, idiomas, viagens, etc. Isso tudo junto oferece mais segurança, assertividade, motivação. Alguém está sempre competindo com alguém e um só será escolhido.

Alguns profissionais não querem ouvir, perceber. Muitos sinais são dados com clareza sobre sua atitude, postura, comportamento, personalidade. Mas sempre é mais fácil culpar ou responsabilizar outros incluindo o próprio chefe pelo seu jeito de ser; difícil de evoluir, mudar e, sobretudo, escutar.  Aprender, desenvolver-se, amadurecer na profissão, nem pensar!  Aí, o papel no chão diz a que veio.

imagem: Piet Mondrian