Sábado, 2 Abril 2011
…pois é.
… minha amiga tem uma diarista há anos. Pessoa fiel, sabe de tudo no ambiente do lar e por pouco manda em todos. Claro que faz o que quer. No dia a dia a relação [engraçado... 'a relação', tudo agora é relação] parou de frutificar, e ao invés de melhorar, como tudo com o tempo, fenece. deteriora, cai, distorce; ou se transforma. Algumas coisas ou situações…melhoram. Assim mesmo; relativista e paradoxal. Hoje em dia a relação entrou na fase do jogo, um game que ninguém quer jogar mas participa de modo velado. Como mulheres vestidas em suas burcas. Denise Stoklos com sua fantástica mímica e intensidade corporal saberia imitar esse jogo como ninguém. Não há nada direto, transparente. Há duas linguagens paralelas; uma é subterrânea, sombria, esquizo, cínica, a outra é a do discurso oficial. Convenhamos. Sâo relações doentes. Insanas. Mas isso faz parte do game.
Chegou-se a um ponto em que a diarista quando esgota qualquer possibilidade de argumento [se é que o tem] apenas diz: ‘Pois é…’ e tal resposta vale para o quê, como, quando, onde ou por quê?
Dia desses fui ao banco. No caixa automático a responsável ajudou-me a pagar um boleto de cartão de crédito [não antes de se tentar desenrolar uma novela mexicana dentro do banco... ai meu deus, isso é politicamente correto? O que está nas entrelinhas??? Lacan explica?] . Pois bem. Confirmou o valor, por minha preguiça em colocar os óculos. Estranhei dizendo que era bem menos. ”Nâo, respondeu-me, este valor é o total’. A canseira, preguiça ou conformismo da idade me faz desistir. Em casa, verifico que sim, eu estava certa e paguei quatro vezes o valor. Ligo para ela. Responde: ‘Ah! então a senhora agora tem um crédito!’. Pois é. Agora tenho um crédito num cartão de crédito. Devo achar bom, então é isso? Neste caso o que espanta é a superficialidade dos atendimentos. Essa sensação de ’pois é…’ leviana, descomprometida, irresponsável. Sentimento de que ninguém liga para nada.
Um garçon derrubou caldo quase fervendo na perna de minha filha. Pois é.
Pois é. Agora também é comum a pessoa dar um prêmio para ela própria. A gente é convidada para algo e a pessoa premia a si própria. Isso mesmo. O instituto, a fundação, a mulher, o marido, a filha, o filho. Coisas absínticas. A nova ética do século XXI. Coisinhas voláteis.
ouça: http://www.youtube.com/watch?v=tkJNyQfAprY
imagem: Humphrey Bogart, by Karsh
… longe de mim parecer simplista no felicidade[1]; mas a exaustão de discursos, estes sim, simplistas. a gente sai por aí e a superficialidade de análises é estarrecedora. Luiz Felipe Pondé é cáustico e realista em seu artigo [FSP,7/3/11].
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Desde que assumi a Presidência da Fundação Cultural de Curitiba [FCC] minha vida virou do avêsso. Dias sossegados se evaporaram. E eu, inocente, pensava que eram tempos agitados… Uma longa lista de pedidos de agenda que quero, mas não consigo sequer instantes para atender. Agenda espremida sem espaços previstos para a longa e profunda respiração. Telefonemas para retornar. Comentários, contatos no Facebook que tento dar atenção. Ver, deletar, responder, excluir e-mails, mensagens por todos os meios. Internas e externas.
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… tocar alguém é manifestação de sentimento. O toque revela cavernas da alma. Iluminadas ou sombrias. O modo de tocar transmite ansiedade, amor, carinho, desprezo, agressividade, mal-estar ou desconforto. Uma pessoa gélida ou caliente. Alguém que não suporta nos tocar; é mais do que ela pode.
…em
…queria me distanciar de política, mas não consigo. O que leio nos jornais? Opiniões de jornalistas em quem confio iniciando por política internacional. Os arranjos de poder ‘no e do’ mundo. E então Brasil político, cultural, cotidiano e mercado.






