Quarta-feira, 3 Fevereiro 2010
…não concordo!
… incrível como no mundo dos negócios, management, ainda se ouve enfáticos ’não concordo’! Como se alguém esperasse anuência, no caso, um superior na hierarquia. Num diálogo qualquer, esta afirmação (não concordo!), estabelece aquilo que chamo de ’muro de berlim’ entre as partes. Cria uma barreira instransponível, pelo menos no momento da fala. Simbolicamente os tijolos desse muro se erguem e qualquer conversa a seguir cai no vazio, porém com muitos outros significados que permitem diversas leituras… aliás, livres em cada mente.
Um pouco de sensibilidade e conhecimento evidencia que qualquer conversa, de naturezas distintas, possibilita a discordância, sempre bem-vinda quando positiva e saudável, ou seja, quando acrescenta algo. O desafio é ‘como’ falar. Pode-se expressar ’ não concordo’, porém de maneira sagaz, habilidosa, inteligente, porque não, criando sinergia com algo como: ‘você tem inteira razão’. Ou reforçando aspectos positivos da visão do outro. A pessoa se entrega… o ego se fortalece.
Conversa vai, conversa vem, apresentam-se novas perspectivas, possibilidades, argumentos, dados, sugestões, soluções, idéias, oportunidades ou… outros lados da mesma figura. Com o famoso ’ jeitinho’ brasileiro. Em negociações, e aprendi que todos negociamos e vendemos o tempo todo, estabelecer vínculos ou cumplicidade é essencial. E instituir qualquer tipo de barreira, incluindo símbolos impeditivos (colocar pasta, projeto, bolsa, caneta, brinde, folder, etc.) na mesa, ou entre as partes só dificulta.
Vale lembrar que onde se senta, como se senta, a linguagem corporal, visual, o tom da voz, o olhar relatam sentimentos de modo significativo. Se somarmos isso ao discurso - expressão verbal -, a comunicação fica ‘quebrada’. O significado se altera também conforme o momento, a situação, a predisposição, o humor, a vontade ou a empatia do outro. E essa empatia ou ‘química’ é vital. Quando ela não existe é preciso desarmar, articular, polir, derrubar o ‘ muro’ aos poucos… despersonalizar, sobretudo num ambiente de negócios.
Comunicar, por si, já não é fácil. Posso afirmar que em 99% dos atendimentos de coach que faço, a comunição, de algum modo, comparece. Comunicar é uma habilidade, competência que pode ser desenvolvida com técnicas, vontade, treinamento, humildade.
Comunicar é uma arte; para espíritos desarmados.
imagem: barbara kruger
bem… se ir ao Peru não é complicado… artigo datado, claro. continuo dizendo o mesmo, porém há que se considerar o momento.
Ir ao Perú não é complicado; relativamente perto, seguro, barato com muitas opções. A natureza justifica uma viagem, una-se a ela a cultura inca, entre muitas outras tão preciosas quanto, além do misticismo que envolve o lugar.
a madrugada avança. calo-me na quietude eterna. melodias anestesiam minhas veias; sangue alvoroçado. entre compassos, movimentos exalam o tempo que atropela o futuro. não sabia. não sei. devaneio entre artistas que inventam conteúdos, formas e sons que entretecem meu instante. (des)cubro. abro e fecho. mas nunca encerro. a finitude não me é próxima. entre huis clos sentidos se expandem. a flor. a pedra. a cordilheira. o rio selvagem. caminham comigo. também o pueblo, a tribo, o planeta, o haiti. a humanidade que paira sobre mim e amortece sentimento. não sabia. nessa trilha pensamos o mesmo. o estranhamento. a imensidão. a perplexidade. a grandiosidade. a diferença. nessa trilha… não saberei.
…pessoas nos chamam de “amiga”… frutas, legumes, cereais diversos, os 35 tipos de maiz, milho com graos enormes. a comida apimentada, colorida, bem temperada; sempre boa. abacates, pimentoes, quinua, espinafre, o pisco, bebida que aquece. a cerveja cusquenha, deliciosa segundo alguns. a inka cola. o mate de coca, chá com folhas frescas de coca para combater o mal da altura – respiraçao frágil. pedras por todo lado. ruas estreitas. igrejas,companhia de jesus e dominicanos, monastérios. ali, no outro lado da rua a cultura inca. os jogos de xadrez de madeira ou cerâmica em que figuras incas disputam com espanhóis. as tessituras em cores espantadas, artesanato rico y hermoso. as danças folclóricas e o festival da cidade de Puno – carnaval local -, segundo informaçoes, a segunda maior festa da América do Sul, após o carnaval brasileiro, claro. a música quechua, a música folclórica,a música peruana. os instrumentos de sopro e sons delicados, românticos, amorosos. situaçoes em que você quer gastar e nos dizem que nao vale a pena. o agradecimento a cada gorgeta. os perros, cachorros pela rua, animais respeitados. a diferença entre os pueblos dos andes e os pueblos do litoral; objeto de estudo e tema na literatura. o brilho da prata e das pedras. o olhar para as montanhas que nos cercam. o ouvir flautas e estrangeiro pelas ruas. o sentir cheiros estranhos, além da dimensao da terra. o falar com acentos de idiomas vários; multicultural. o tato das mantas de alpaca.
…é cedo. sempre cedo quanto temos que ir. é triste dizer adeus. é triste despedir-se sem data marcada. deixar para trás magnitude. silêncio. quietude. natureza com voz selvagem; rebelde. indomável. estelas, estrêlas misturadas com picos escuros diante da luz acinzentada do céu. o som do rio, volume de água que apaga ruídos. passos na ponte pencil de madeira. gente que trilha. pueblos de vale sao diferentes de pueblos de beira-rio, diferentes de pueblos de ilhas, montanhas e beira-mar. estranho ponto do mundo, escondido. pueblo que acredita no sol e na lua. hasta luego.
…inebriante.
… pensamentos imperfeitos.
… incas, cultura e história fantástica. impressoes densas e intensas. Vale andino fantástico. Penso o conceito e a complexidade das palavras “libertadores” e “conquistadores”… é muito estranho estar numa igreja, belíssimo presépio, santos diversos à volta e… apenas incas orando… comungando… com suas vestes de origem incaica/colonizadora.
Cá entre nós, ser perfeccionista é um defeito-qualidade e tanto. No entanto, não é a perfeição que ele busca e talvez a semântica esteja equivocada. O quê se deseja é que o outro faça tudo do modo como ele mesmo faz; do mesmo jeitinho. Vale para qualquer ação ou pensamento. A certeza (ou hipótese?) do perfeccionista prevalece sobre todas as coisas do universo.






