Quarta-feira, 21 Julho 2010
…excessos.
… sabe quando o tico quer correr para um lado e o teco fugir para o outro? Você quer sentar com amigos e conversar bobagens interessantes, entorno de boa comida e vinho daqueles… música especial, esquecer que existe tempo. Ao mesmo tempo você gostaria de navegar pela Internet descobrindo, lendo, ouvindo o que gosta. Quer trabalhar, mas quer não fazer nada. Quer ler o livro que comprou, mas a preguiça ou o cansaço espantam a vontade. Ir ao cinema? Jantar em algum novo lugar? eh….!
No meio disso tudo.. O jornal que você assina a vida inteira te surpreende. Não! Não o surpreender esperado do cliente na superação de expectativas. Mas o vazio da leitura. De repente, de um dia para o outro, vira uma camada de pó superficial descartável. Não se guarda mais nenhum artigo, reportagens… E algumas tantas matérias você tem vontade diária de escrever algo ao jornal, por uma razão ou outra, mas se vê em meio ao caos. De tão atualizado, perdeu-se. Cada página você precisa acessar um local on-line, ou muitas opções como blogs, etc. Ou seja, de tão comunicacional, espanta qualquer vontade de acesso. O esperado caderno especial, que abastecia a leitura dominical, passa-se o ôlho numa leitura dinâmica e… não sobra nada. Eu mudei? Ou o jornal está compatível com nosso tempo escorregadio. E isso me sofre.
Ainda gosto de um jornal, uma leitura que faz minha cabeça. Tenho prazer em pensar. Cancelo a assinatura? Assino um outro? E o prazer de esperar o barulho da moto e do jornal atirado? Agora… algumas vezes nem vou buscar. É minha tola rebeldia.
Os noticiários dão conta de escândalos sem fim. Apocalipse, dizem alguns. Coisas do diabo, dizem outros. Está na Bíblia, gritam os que anunciam o final dos tempos. Os excessos em tudo nos torna espantados. Com o que dizem. Com o que falam. Com o que escrevem. E acima de tudo com o que fazem. Do discurso à ação o passo é ligeiro.
Parece que não tenho muito a dizer. Tenho sim. Algumas coisas estão trancadas procurando o seu lugar. Sem excessos, por enquanto.
imagem: Barbara Kruger
ouça, armand amar: http://www.youtube.com/watch?v=eNcS6H_ZbOw&feature=fvsr
… foi ainda em 1989 que Wim Wenders fez o filme ‘Notebook on Cities and Clothes’ [Identidade de nós mesmos] sob encomenda do fabuloso Beaubourg, o Centro George Pompidou, Paris. Pediram-lhe um breve filme sobre moda, o contexto da moda. E nos maravilhamos com o documentário sobre Yohji Yamamoto. Uau, dois monstros em suas profissões. Wenders conseguiu captar a essência do estilista e a sensibilidade que consegue passar no filme é ímpar. Além do diálogo, ainda atual, com as mídias já naquele ano; – ano da queda do muro de Berlim. De Paris para Tokyo, os contrastes entre as duas cidades, sua dinâmica cosmopolita, sua contemporaneidade e o uso da câmera com seus intervalos, timing exato em cada cena, cortes, closes, edição de material fantásticos. Os silêncios de Yamamoto. Suas mãos que falam. O deitar-se no chão cercado de moldes com seus auxiliares. Um filme atemporal pela filosofia de ambos, um na leitura de outro. O livro, ‘Pessoas do século XX’, do fotógrafo August Sanders como elemento inspirador de Yamamoto. O livro repleto de post-its que caminha ao seu lado; fotos de pessoas em diferentes situações, profissões, idades. Gente real.
ouça:
…algumas coisas me encanam. É tão déjà vu encontrar nas empresas um dinossauro (sorry!), okay dino para os amigos, que ao começar um novo trabalho sentencia: ‘mas sempre fizemos assim…’ e isso é tão velho, que escutar essa frase numa agência de publicidade soa caricato. Ou ironia. Ou é daquelas que uma vez a conta ganha, sentam em cima do cifrão. Bem, é lamentável porque Curitiba segue com seu ar provinciano e apesar de tantos avanços escorrega onde não deveria. Um tipo de empresa que deveria ter olhos no futuro.
… uma exposição de Laurie Anderson no Guggenheim Soho, anos atrás, me impressionou. Se arte deve tocar, fiquei magnetizada. Sensação, tecnologia, conteúdo, sensibilização, pertencimento universal, integração. Ficaria imersa por horas… como fiquei. Um pequeno e impecável travesseiro quente nos esperava, em meio a outros objetos-instalações que nos conectavam. Deitei a cabeça, suavemente, como quem teme ‘estragar’ a obra. Início da arte interativa. Pessoas ressabiadas, ambiente escuro, sem luz, salvo a de cada obra exposta.
…pois bem. esta é a política. manchetes da Folha de São Paulo, 6 de maio. (sem ler as matérias e/ou reportagens)
Um pouco de Philip Glass… Fronteiras do Pensamento POA:
… a exposição de Hélio Oiticica é uma delícia. Experimentos sem fim. Vesti Parangolés, entrei nos Penetráveis, deitei na cama “Penetrável” feita para mendigos dormirem na rua. Sensação estranha. Ele já não está mais aqui. A obra perdura, apesar do incêndio que destruiu parte de suas obras no Rio de Janeiro. Deitar naquela cama tosca nos leva a várias situações; a imaginação flutua no tempo. Quem seria o ” Hélio” da vez? Lembrei de uma crônica (A mulher da rua) publicada em meu livro “Cidade Estranha” e a cama bem poderia ser a que vi descrita no texto. O destempero da vida. Pode alguém dormir na rua?
Um presidente de empresa tem uma tese para avaliar funcionários. Homem empreendor, galgou escadas by himself, pela sua visão de oportunidades, trabalho com afinco e excelência . Sua teoria é a seguinte. Ele deixa um minúsculo, mas visível papel no chão em frente à sua mesa, de modo que qualquer pessoa que vá à sua sala possa enxergar. Quando alguém entra, ele observa. 






