Sábado, 4 Setembro 2010

…não faça de um câncer um projeto de vida.

ouça: 14 La Stravaganza – Concerto No. 11 R. 204, II – Largo / http://www.youtube.com/watch?v=RN8u7DLyEDk&feature=related

okeeffepink-tulip-lg… ao saber de um câncer, junto com meus filhos, eles perguntaram ao médico  se eu não devia parar de trabalhar. E um conselho sábio do oncologista foi:  ‘Não faça da doença um projeto de vida’.  Isso foi  um divisor de águas em minha vida. 

Pensei; algo passa por mim, mas não me pertence. Pensei muito. Afinal, diante de uma doença crônica, o que queremos fazer com nossa vida? Reformulei projetos, acelerei o tempo e curti cada fração de segundo. Olhei o mundo de outro jeito. E, sobretudo, passei a cuidar de mim – esta passou a ser a prioridade.  E assim já se passou mais de três anos. Fiz quimoterapia, operação e radioterapia. Fiz uma fiosioterpia em Curitiba e depois em São Paulo, onde fique cinco semanas curtindo a cidade e amigos ao máximo em meio ao tratamento. Claro, fiz um curso que acabei por trazer a Curitiba.

Publiquei três livros, revisei uma segunda edição de um outro [só quem já viveu esse processo sabe o nível de detalhamento que exige],  acabo de entregar o quarto a uma Editora sobre  esta minha experiência com meu corpo, a saúde, a doença, a comunicação. Continuei minha rotina como coach e palestrante, atuando como consultora, e estou num novo trabalho em meio a uma segunda bateria de quimioterapia. Além de umas fugidas a São Paulo para consultas terapêuticas. Fui homenageada [e quase pensei que já estava indo...]. 

Há!  Fiz uma peregrinação para a terra de origem de meu avô paterno – o Líbano, passando pela Turquia, Síria, Jordânia.  Fui ao Perú, Machu Pichu, voltei uma semana antes dos desabamentos. Eram sonhos arquivados que inesperadamente consegui realizar. 

Há!  Estou finalizando um projeto de um loft pré-moldado para ir mais rápido [um sonho sem dinheiro que foi dando certo], obra que administro com uma construtora. E não sei se uma obra pré-moldada não dá mais trabalho! Exige planejamento. Antes de começar todos (sim, todos!) os detalhes tem que ser definidos. Pontos de luz, água etc… e qualquer mudança é muito mais complexa. Algumas, como quebrar um pedaço de  parede por qualquer razão é impossível. Ou o desejo de uma nova tomada… mas não mudamos nada, salvo adaptações em função terreno. 

Há! No ano passado fiz um mestrado de  ‘Comunicação e Linguagens’  para ter mais fundamentos e compreensão de nossa realidade  para o último livro. Foi sensacional aprender… ampliar a visão, desenvolver  o espírito crítico…  Uma doença nos defronta com o corpo, a identidade, a subjetividade,  a espiritualidade. As perguntas essenciais da filosofia surgem: de onde viemos e para onde vamos.  E… minha família achando tudo isso, tudo que faço,  uma loucura. Não falam, mas sei como pensam.

Ao mesmo tempo, em projetos, como tudo conspira, como tudo se transforma; coisas inimagináveis acontecem. Boas ou difíceis. Muito difíceis também. Para nós e para os que nos rodeiam. Filhos, amigos, parantes. Que grau de importância damos ao que nos cerca?  Vivo cada dia. Não antecipo, não sofro antes do fato. E quando chega algo, aceito como passagem. A filosofia budista me ajuda muito. A ioga, a massagem para a ansiedade, a hidroterapia.  Tornei-me muito feliz. Tenho alegria interior e consegui atingir serenidade. mesmo quando tudo parece desabar; não vejo assim, mas como nova fase. Muito distante de auto-engano.  Sei o que tenho. E faço o que é preciso. Acato com rigor o tratamento médico científico, mas faço também cuidados  alternativos como acupuntura, homeopatia e o que mais me der vontade ou minha crença aceitar. Um reeducação alimentar também faz muita diferença. Afinal, seu eu não cuidar de mim, de meu corpo, quem vai fazer isso? 

Imagino que sem projetos não estaria mais por aqui. A medicação do câncer varia de paciente para paciente. O que muda são as reações de cada um ao medicamento. E nisso podemos ajudar. Projetos de vida alimentam a alma, a energia, a percepção, as sensações. É preciso estar com todas as antenas ligadas, receptivas.  Fico triste quando vejo alguém desabar e parar suas atividades. São elas que nos movem, são elas que criam possibilidades, que nos fazem levantar com energia. Olhar o mundo  em todas as suas perspectivas. Fazer da doença um oportunidade, um avanço no caminho, no TAO . Sem fazer nada… o que restaria de mim?

 imagem: ‘Tulipa’  by Geórgia O’ keeffe

Quinta-feira, 2 Setembro 2010

…para onde ir?

berlin-d905…empresas me enlouquecem. Sempre me pergunto: se fazendo tudo sem planejamento, sem metas, sem  buscar excelência, sem saber o que é treinamento, etc., elas sobrevivem num mercado fortemente competitivo, imagine se fizessem algo, pelo menos pequenas ações com rumo certo.

Como uma empresa pode sobreviver hoje, sem saber para onde vai? Como um dono de empresa, acima de alguns “enta”  consegue  [sobre]viver se não define um objetivo com prazo e resultados que espera? 

Pois é. Existem muitas e muitas empresas por aí assim. Barcos à deriva… Vão indo. Correndo atrás da máquina que não para. Sem ninguém no leme. Deixa acontecer… Nesta era de comunicação, redes, interfaces, velocidade, exigências, clientes volúveis… Se o dono ou executivo não sabe o que tem na mão, quem há de saber? Se o responsável não comunica a todos [todos mesmo...do boy e pessoal de limpeza, cafezinho etc.,  ao executivo no. 2] o que quer, como quer e para quando quem vai adivinhar? Nas empresas que o fazem rotineiramente existe problemas de comunicação, o que dizer do clima interno  das outras?

Paga-se um preço. Ansiedade. Instabilidade. Insegurança. Angústia não identificada. Receios. Tudo isso reflete no ambiente de trabalho. Funcionários se ressentem. Perdem  motivação, se é que havia alguma. Todos vão levando… Cada dia mais difícil que o outro. Mais pesado. Menos estimulante. Sem energia. Esse é o cenário [sem aprofundar], esse é o preço.  Nem todos se dão conta do prazer de realizar, produzir, conquistar, superar e superar-se. Compartilhar, usufruir, desfrutar um projeto acabado.  Ir além. Mudar, transformar, liderar para causas inovadoras, criativas, mobilizadoras.

Mas é assim. Alguns preferem  as zonas confortáveis em que a repetição da tarefa atenua desgastes de qualquer gênero. Diferenças… elas existem. Estão nas empresas e são necessárias. Mas quando se espera direção, decisão e segurança, como é bom a presença e a firmeza de quem sabe para onde vai. A voz sólida que transmite experiência, vivência e sabedoria. A voz que acalma, que transmite ‘ eu sei o que estou fazendo’  e todos relaxam porque identificam que é possível acreditar.

Pense um pouco. Como é a empresa  em que você trabalha em três palavras? Ela tem direção? Você sabe como surpreender sua chefia imediata? De zero a dez que nota você dá para a comunicação interna? O que  essa empresa  acrescenta para seu projeto de carreira? Considere questões dessa natureza e veja se vale a pena ficar…    

 ouça, Cliff Martinez: http://www.youtube.com/watch?v=JPNDrsZ2MAE

imagem: http://www.planetware.com/i/photo/berlin-d905.jpg

Quarta-feira, 21 Julho 2010

…excessos.

BarbaraKruger-All-Violence-is-an-Illustration-of-a-Pathetic-Stereotype-1991… sabe quando o tico quer correr para um lado e o teco fugir para o outro? Você quer sentar com amigos e conversar bobagens interessantes, entorno de boa comida e vinho daqueles… música especial, esquecer que existe tempo. Ao mesmo tempo você gostaria de navegar pela Internet descobrindo, lendo, ouvindo o que gosta. Quer trabalhar, mas quer não fazer nada. Quer ler o livro que comprou, mas a preguiça ou o cansaço espantam a vontade. Ir ao cinema? Jantar em algum novo lugar? eh….!

No meio disso tudo..  O jornal que você assina a vida inteira te surpreende. Não! Não o surpreender esperado do cliente na superação de expectativas. Mas o vazio da leitura. De repente, de um dia para o outro, vira uma camada de pó superficial descartável. Não se guarda mais nenhum artigo,  reportagens… E algumas tantas matérias  você tem vontade diária de escrever algo ao jornal, por uma razão ou outra, mas se vê em meio ao caos. De tão atualizado, perdeu-se. Cada página você precisa acessar um local on-line, ou muitas opções como blogs, etc. Ou seja, de tão comunicacional, espanta qualquer vontade de  acesso.  O esperado caderno especial, que abastecia a leitura dominical, passa-se o ôlho numa leitura dinâmica e…  não sobra nada. Eu mudei? Ou o jornal está compatível com nosso tempo escorregadio. E isso me sofre. 

Ainda gosto de um jornal, uma leitura que faz minha cabeça. Tenho prazer em pensar.  Cancelo a assinatura? Assino um outro? E o prazer de esperar o barulho da moto e do jornal atirado? Agora… algumas vezes nem vou buscar. É  minha tola rebeldia. 

Os noticiários dão conta de escândalos sem fim. Apocalipse, dizem alguns. Coisas do diabo, dizem outros.  Está na Bíblia, gritam os que anunciam o final dos tempos.  Os excessos em tudo  nos torna espantados. Com o que dizem. Com  o que falam. Com o que escrevem. E acima de tudo com o que fazem. Do discurso à ação o passo é ligeiro.  

Parece que não tenho muito a dizer. Tenho sim. Algumas coisas estão trancadas  procurando o seu lugar. Sem excessos, por enquanto. 

imagem: Barbara Kruger

ouça, armand amar:  http://www.youtube.com/watch?v=eNcS6H_ZbOw&feature=fvsr

Quinta-feira, 1 Julho 2010

Wim Wenders e Yamamoto

20080320_gypsy_33… foi  ainda em 1989 que Wim Wenders fez o filme ‘Notebook on Cities and Clothes’ [Identidade de nós mesmos] sob encomenda do fabuloso Beaubourg,  o Centro George Pompidou, Paris. Pediram-lhe um breve filme sobre moda, o contexto da moda.  E nos maravilhamos com o documentário sobre Yohji Yamamoto. Uau, dois monstros em suas profissões.  Wenders conseguiu captar a essência do estilista e a sensibilidade que consegue passar no filme é ímpar. Além do diálogo, ainda atual, com as mídias já naquele ano; – ano da queda do muro de Berlim. De Paris para Tokyo, os contrastes entre as duas cidades, sua dinâmica cosmopolita, sua contemporaneidade e o uso da câmera com seus intervalos, timing exato em cada cena, cortes, closes, edição de material fantásticos. Os silêncios de Yamamoto. Suas mãos que falam. O deitar-se no chão cercado de moldes com seus auxiliares. Um filme atemporal pela filosofia de ambos, um  na leitura de outro.  O livro, ‘Pessoas do século XX’, do fotógrafo August Sanders como elemento inspirador de Yamamoto. O livro repleto de post-its que caminha ao seu lado; fotos de pessoas em diferentes situações, profissões, idades. Gente real. 

O fio com que Yamamoto tece seu trabalho, obra, criação não perde nunca seu rumo, sua aparente tranquilidade oriental. Traz lá da infância o gosto pela costura [sua mãe era costureira] e  pesquisa a textura  para cada coleção; parte dela para criar. The fabric. A explicação sobre sua inquietude com as dobras que se formam no ombro de uma camisa quando vestida, sua indagação filosófica sobre isso, sua leitura do corpo, da pessoa, da roupa como forma. Sim, para ele é a forma que conquista supremacia e nada pode interferir nessa opção. Nem a cor. Por isso a predominância de preto. Mesmo o cinza interfere. Wenders consegue traduzir sua linguagem, sua expressão coerente, cheia de essência, explícita em formas. 

Yohji Yamamoto não é uma grife. É um modo de ser.

‘Filmmaking… should just remain a way of life sometimes, like taking a walk, reading a newspaper, eating, writing notes, driving a car or shooting this film here, for instance, made from day to day, carried along by nothing other than its curiosity — a notebook on cities and clothes.’  Wim Wenders

veja: http://www.wim-wenders.com/ 

imagem: The gypsy, ‘Pessoas do século XX’, by August Sanders

Terça-feira, 8 Junho 2010

um filme.

va_vis_et_deviensouça: http://www.armandamar.com/french/index_d.php

Va, Vis et Deviens (Um herói de nosso tempo). Um filme de 2005, direção do romeno israelense Radu Mihaileanu, belíssimo filme. Não conseguimos desgrudar… Nove prêmios e seis indicações fazem do filme uma indicação fácil. No entanto, não sei se todos aguentam a dose de realidade. Salomão, o personagem central, um menino negro, cristão etíope de nove anos, se faz passar por judeu quando Israel reconhece como judeus, genuínos negros Falashas da Etiópia em 1980. Chegam ao Sudão a pé  e de lá são transportados para Jerusalém de avião. Sua mãe verdadeira, lhe faz partir, com a frase que dá nome ao filme: ‘Vá, viva e tranforme-se’  cuja tradução oficial não faz sentido. E ele acompanha uma outra mãe,  judia, que havia perdido seu filho que morre também. Chega só em Israel e é adotado por uma família. Sua vida é uma via crucis, uma saga e aí sim, a tradução faz jus, até certo ponto.  

Quem são os heróis de nosso tempo? Vencedores, pessoas de sucesso, pessoas que se projetam, se espetacularizam, estética antes da ética. Não é seu caso. Ele é um vencedor, sem dúvida, mas não sob os olhos de nosso tempo efêmero.  Ele vai, vive e se tranforma, como lhe disse sua mãe; volta como médico do ” Sem Fronteiras” , após uma formação em Paris, casado com  Sarah, judia que perde seu status pelo casamento. Sensível, sofre tudo que é possível um ser humano passar. A tragédia humana está presente, em suspense,  durante o filme.  A tensão equilibrada de modo sutil. 

O preconceito é nítido, ostensivo, radical. Relacionamentos diversos com amigos, autoridades, paterno, materno (sua mãe verdadeira, a adotiva), fraternais, colegas de escola…  e a saudade de sua mãe.  A dificuldade de compreensão: por que ela o teria feito partir? A carência, a falta, a perda, a raiva, a revolta, a dor, a incompreensão, a aguçada sensibilidade são elementos bem trabalhados de modo real. Salomão é universal. Somos todos Salomão. O menino que vai. Fica. E volta. Mas sua identidade é um mix paradoxal. Fala seu idioma de origem, hebraico, francês. Nasceu na Etiópia, mas vive em Jerusalém e Paris. Que terra é a sua? 

Bem… a análise fílmica fica de lado porque fui envolvida pelo enrêdo, fotografia, iluminação e, nesse emaranhado de delícias tristonhas assim como é a vida, esqueci de ver o filme enquanto filme.

Cenas: a despedida de sua mãe original; o desespero de Salomão, em Israel, ao tomar banho de chuveiro quando deseja segurar a água que escapa pelo ralo, na Etiópia ela  é escassa; quando tira os sapatos para caminhar na terra;  o reencontro com sua mãe e o grito primal.  

Sim, ele encontra sua mãe na Etiópia.

A música sugerida é o tema do filme do compositor contemporâneo Armand Amar francês de origem marroquina, nascido em Jerusalém.

Sexta-feira, 4 Junho 2010

…eco!

questões cotidianas.

  • você separa o lixo de casa?
  • separa: orgânico, lata, vidro, plástico, papel?
  • lava as embalagens plásticas, vidros e latas?  é mais econômico.
  • sabe que o papel  não amassado vale mais?
  • você joga papel na rua ou… fora de lixeira?
  • quando sai do cinema leva o pacote de pipoca, coca etc. até uma lixeira?
  • tem lixeirinha no carro?
  • quando sai da praia deixa tudo limpo?
  • conhece a cadeia produtiva das marcas que consome? isso faz diferença para você?
  • já começou a economizar saquinhos plásticos em suas compras?
  • entrega pilhas usadas em locais de recebimento?
  • entrega óleo de cozinha usado em locais de recebimento?
  • e outras

isso é o básico. mas tem tanta gente que se assusta quando falo que separo o lixo em cinco; que recuso saquinhos na farmácia, no vídeo, nas pequenas coisas. 

mas isso não é nada. feio mesmo (e como tenho visto!) é mulher ir ao banheiro (shoppings) e sair sem lavar mão. ou sem dar descarga. falta de educação? etiqueta? respeito? higiene mesmo?

coisinhas básicas  do dia a dia que fazem diferença.

ouça: Glenn Gould  http://www.youtube.com/watch?v=wyOf_L4cNHc&feature=related

Terça-feira, 1 Junho 2010

…sempre fizemos assim.

  Humanneeddesire…algumas coisas me encanam. É tão déjà vu encontrar nas empresas um dinossauro (sorry!), okay dino para os amigos, que ao começar um novo trabalho sentencia: ‘mas sempre fizemos assim…’ e isso é tão velho, que escutar essa frase numa agência de publicidade soa caricato. Ou ironia. Ou é daquelas que uma vez a conta ganha, sentam em cima do cifrão. Bem, é lamentável porque Curitiba segue com seu ar provinciano e apesar de tantos avanços escorrega onde não deveria. Um tipo de empresa que deveria ter olhos no futuro.

A sorte é que mudanças e transformações são inevitáveis e os tempos avançam sem trégua. Quem ‘não muda’  morreu e não sabe. Gente, o planeta gira. Essas coisas me tiram tanto do sério que mergulho no mundo da arte. É o que nos salva diante da ignorância no sentido filosófico, o desconhecimento.  (Mas ainda acho que numa agência é sarcasmo).  Pelas empresas, a resistência acontece em frases como ‘ já fizemos isso e não deu certo’, ‘não se mexe em time que está ganhando’ , sempre fizemos desse jeito… e assim por diante.  Pela minha experiência, essas pessoas ficam pelo caminho, ou seja, não  suportam evolução, mudança, inovação e acabam por buscar outro emprego ou são convidadas a sair.  E não acredito que volte a este tema no século XXI, tempos líquidos, digitais, de redes múltiplas, instantâneo. Tempo de se reinventar o tempo todo. Pessoas, empresas, instituições. (Lembrei do Congresso! Que vergonha! Eles se reinventam, fazem plásticas há, há!!!).

Vamos para um universo mais palatável, não de sonhos, universo real daqueles que usam a expressão como meio – os artistas. Mundo em que ‘eu sempre fiz assim’ … não tem lugar porque a inovação, a transgressão, a criação, a ousadia  estão em movimento constante, e para quem é bom, sempre à frente de seu tempo. Muitas vezes, incompreendido como pessoa ou pela obra. Van Gogh só teve um quadro vendido em vida. Em compensação é bom apreciar trabalhos com os de Bruce Nauman, Adrian Piper, Demian Hirst, Inka EssenHigh, Ellen Gallagher, Lee Bontecou entre tantos outros. Perguntam-me onde buscar harmonia, bom gosto, como aprimorar… Duas maneiras: imersão de natureza, a eterna fonte, e arte. Muita e muita arte. Precisa mais? 

ouça: http://www.youtube.com/watch?v=gh_9leIFl7Y  [lembrei dessa música ao pensar em repetição de comportamentos]

imagem: Bruce Nauman, humaneedesire. Figura entre os 100 melhores artistas atuais.

divirta-se com o trabalho de Anis Kapoor: http://www.anishkapoor.com/

Quinta-feira, 20 Maio 2010

Lou Reed & Laurie Anderson

Laurie… uma exposição de Laurie Anderson no Guggenheim Soho, anos atrás, me impressionou. Se arte deve tocar, fiquei magnetizada. Sensação, tecnologia, conteúdo, sensibilização, pertencimento universal, integração. Ficaria imersa por horas… como fiquei. Um pequeno e impecável travesseiro quente nos esperava, em meio a outros objetos-instalações que nos conectavam. Deitei a cabeça, suavemente, como quem teme ‘estragar’  a obra. Início da arte interativa. Pessoas  ressabiadas, ambiente escuro, sem luz, salvo a de cada obra exposta.

Na sala ao lado, ela ‘ falava’  no nível do chão, por meio de minúscula imagem sua, como que recortada de um todo e eu não sabia o que era mais denso, se o texto proferido, ou a própria imagem que só vi uso similar tecnológico, anos depois em visita a  fábrica Toyota no Japão. Joguei-me ao chão. Olhei. Escutei. Submersa em pensamentos rarefeitos que não vou lembrar, salvo a marca, a forte impressão.

Alguns artistas são assim. Deixam marcas na memória da célula, do tempo, da imagem visual. Memória quando relida, diferente, como a minha agora. A rememoração-lembrança nunca é a mesma. Naquele instante ela foi futuro, visão, abertura.  Assim como diante da obra de Vincent Van Gogh revisitei passado, genialidade, loucura saudável. O mundo normal é dos loucos. Criativos. That’s it.  

Lou  Reed [Velvet Underground], marido de Laurie  Anderson (what a couple!), vem para a Festa Literária Internacional de Paraty [FLIP] entre 4 e 8 de agosto 2010. A  Editora Companhia das Letras lança “Atravessar o Fogo” , livro que reúne 310 músicas de Lou. Um passeio por seus sites atualiza o que fazem… 

veja: http://www.loureed.org/00/index.html

veja: http://www.laurieanderson.com/

imagem: http://www.laurieanderson.com/appearances/index.shtml#JANtoAPR

Quinta-feira, 6 Maio 2010

isto e aquilo

20091124021808_DexterDalwoodSunny…pois bem. esta é a política. manchetes da Folha de São Paulo, 6 de maio. (sem ler as matérias e/ou reportagens)

quer escutar enquanto lê? parece os passos do Brasil: http://www.youtube.com/watch?v=RcyKlRv1BRk

Presidente defende Tuma Jr. de acusações: não tenho a menor ideia sobre as ações de  Tuma Jr,. mas não acho que caiba a um estadista,  um presidente da República defender ou não certas pessoas. até porque o presidente Lula defendeu no passado o Deputado Roberto Jefferson e queimou a mão. lembram? o episódio dos 40 ladrões, capa de Veja.  além disso, e sobretudo, um presidente deveria estar pensando em coisas, digamos sérias para o país (isso seria  sério e eu é que estou sendo ingênua?) como as alianças do país com o Bric, neste momento as negociações ou não em sua visita ao Irã. as delegações do Brasil, China, Rússia, Turquia não se retiraram após a fala de Ahmadinejad. há! e ontem (ou anteontem) parece que o Presidente da República esteve opinando, à portas fechadas com a camarada, ops, candidata Dilma,  sobre as roupas que ela usa em campanha… e nós pagamos impostos para isso? Paulo Li??!! de onde surgiu isso??

Para bispo, tocar adolescente não é pedofilia: gosto sempre de saber do que estamos falando. o que define ser adolescente hoje?  a idade? se for, conheço algumas mulheres  maduras (para não dizer idosas) em plena adultescência… um absurdo. voz fina, trejeitos infantis ou adolescentes, roupas, cabelos, e eteceteras… inacreditáveis. de mau gosto mesmo. emocional? voltando a Igreja Católica que é o que interessa enquanto instituição representativa de milhões de pessoas. o que está, de fato, acontecendo? com a palavra a liderança. (se não estou enganada, parece que na Bíblia está escrito: “crescei-vos e multiplicái-vos”.)  mas  padres não podem casar. não sei se isso daria jeito nos pedófilos, mas essas instituições ‘ homosexuais”  não deixam de ser estranhas com suas clausuras cerradas.  o assunto é polêmico e desconfortável porque revela um lado obscuro, sombrio, podre do ser humano imperfeito, de nossa humanidade. sim, essas coisas existem e veem à tona nestes dias. há! e o quê esse bispo quer dizer exatamente com  ”tocar em adolescente” ? by the wayuma massagista no Canadá, a cada vez que muda o local onde toca o corpo do cliente, pede licença, e é preciso ter o ” de acôrdo” senão ela perde a licença de trabalho profissional.

há!  Hiperoferta de atrações faz pessoas ficarem em casa. isso eu gosto. me acontece e muito. diante de tantas possibilidades, fico paralisada.  quem sabe nossa sociedade de consumo pare de consumir pela exaustão.  seria uma “terceira via”  não planejada. sem nenhum plano econômico, as pessoas ficariam em casa curtindo a família pela overdose de comunicação. pelo excesso. pela violência. pela insegurança. pelo medo. e pelo grande e sustentável prazer.

Dia de fúria (com foto): a situação da Grécia e o desespero em onda  furiosa da população.  população é melhor que o ‘povo’ , muito impessoal, afinal quem é e onde está o povo?? bem, essa os gurus não previram… surprise para todos. um tsunami de papel, o dinheiro que falta. e agora?  responsáveis? previsões? planejamentos? estatísticas? análises internacionais e nacionais?

Pré-candidatos apoiam Lula nas aposentadorias: e quem seria o louco político contra? nessa hora em que cada voto vale ouro? (do jeito que as coisas vão, e pela preciosidade, vale-água). só que no jogo de xadrez o Lula deve vetar as medidas.

 imagem: Sunny Von Bulow de Dexter Dalwwod, 2003, artista finalista do Prêmio Turner. http://www.saatchi-gallery.co.uk/artists/artpages/dalwood_Sunny_Von_Bulow.htm

ok, a imagem é pesada, mas algo está leve nos dias de hoje?

Sábado, 1 Maio 2010

what are you looking for?

Philip GlassUm pouco de Philip Glass…  Fronteiras do Pensamento POA:  http://www.youtube.com/fronteiraspoa#p/u/10/vy00Mg9VjOw

Conheci o Philip Glass, quero dizer, sua música, nas andanças da vida e me apaixonei de imediato. Ao passar por  New York no ano 2000, por acaso li uma acanhada nota sobre um concerto especial;  mudei a data de minha viagem para ter o privilégio de assistir a um concerto comemorativo da virada do milênio numa sala do Brooklyn com o mestre presente e  dois corais, um deles um Coral do Brooklyn (em algum lugar devo ter o programa queme fez chorar) . Estava emocionada.

O repertório composto em 1999 para as festividades do ano 200o com vasta e longa pesquisa do compositor resultou na “Sinfonia no. 5 [Requiem, Bardo,  Nirmanakaya]“.  A Sinfonia foi concebida para o Festival de Salzburg como ponte entre o passado, presente e futuro. O passado representado no ‘Requiem’  envolvendo 9 movimentos até a ‘Morte’. O presente no ‘Bardo’ expressando in-between e culminando com o renascimento como manifestação de iluminação no ‘Nirmanakaya’.  Junto com  James Parks Morton e Kusumita P. Pedersen elaborou um texto vocal que começa antes da criação do mundo, passa pelo paraíso e encerra com uma dedicação ao futuro. Optaram por apresentar textos originais (grego, hebraico, sânscrito, arábico, chinês, japonês e linguagens indígenas) convertidos para o inglês. A obra é preciosa. 

Capas que mantém o idioma original em doze mini álbuns, edição primorosa, acompanham o CD, além de um folder explicativo de uma obra densa de significado e simbologia. Um dos mais influentes compositores do século XX, considerado  minimalista por alguns, rejeita o rótulo e se diz  alguém que ‘repete as mesmas estruturas’; com repertório eclético compôs óperas, concertos, sinfonias, música para filmes, quartetos, solos.

A lista de artistas geniais com quem trabalhou é admirável: Richard Serra, Chuck Close, David Bowie, Doris Lessing, Martin Scorsese, Ravi Shankar, Allen Ginsberg, Brian Eno, Laurie Anderson, Paul Simon, Woody Allen… chega? Tem outros.

para saber e ouvir: http://www.philipglass.com/