Quarta-feira, 30 Dezembro 2009

… entre perfeccionistas.

ilha do melCá entre nós, ser perfeccionista é um defeito-qualidade e tanto. No entanto, não é a perfeição que ele busca e talvez a semântica esteja equivocada. O quê se deseja é que o outro faça tudo do modo como ele mesmo faz; do mesmo jeitinho. Vale para qualquer ação ou pensamento. A certeza (ou hipótese?) do perfeccionista prevalece sobre todas as coisas do universo.

O perfeccionista é sempre um controlador. Só ele sabe, ou melhor… ele quer que seja feito, falado, escrito, cortado, arrumado como ele idealiza. Controla o processo inteiro e o antes… é minimamente detalhado, programado, previsto; tem um plano ‘b’ para qualquer situação.

E é com ele que acontece um montão de coisas… No dia que sai com todos os documentos e suas devidas cópias numa viagem ao exterior, ‘por acaso’, nesse dia é assaltado. E assim segue sua vida. Prepara tanto a reunião para apresentar algo ao chefe que nesse dia, o filho sai com seu carro sem avisar; a gasolina acaba, a impressora não funciona ou os seus três pen drives falham já na meia hora antes da sua fala. Alguém pode penar mais do que ele?

O perfeccionista é um sofredor e quem convive com ele sabe disso. Ele sofre mais do que quem vive à sua volta. Sofre por tudo que é dissonante ao seu raciocínio, da bobagem àquilo que de fato é sério e merece reflexão.    

O perfeccionista é um atormentado. Sua agonia começa na expectativa da ‘coisa’ – qualquer uma vale! É também ansioso, organizado, detalhista… e chato! A melhor opção é ter humor diante de seu jeito de viver ou sua visão de mundo.

Mas todo esse seu afã de fazer um hipotético ‘melhor’ é para controlar; controlar tudo que passa à sua frente, no ambiente, ou junto às pessoas de seu entorno. Haja paciência!

Se ele pudesse, como um xamã, controlaria o tempo, as nuvens, a tecnologia,os vulcões, os ventos… Seria um mágico como aquele da lâmpada – faria milagres; tudo acontecer como ele quer. O mundo a seus pés.

Mas sofre como condenado injustamente. E sofre mais ainda para controlar a si próprio; controlar o comentário, a palavra, o ‘ensinamento, dica, palpite’. Quando percebe, já falou, fez, arrumou. Et voilà!

A gente sabe como é.

foto: maria christina

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