Sexta-feira, 19 Fevereiro 2010

…finitude.

InkaEssenhigh

que tal, ‘ as horas’  enquanto lê??  http://www.youtube.com/watch?v=uVe-2SDvuJU

o contato com a finitude que uma doença apresenta é uma experiência muito interessante. desde que nascemos temos uma única certeza: a morte. no entanto,  quando ela ronda o ambiente, um frio diferente invade o ar, um estranhamento, um vento outonal faz aconchegar a postura. não deixa de ser curioso porque se morre por qualquer hora e por qualquer coisa. os saudáveis se vão e muitos doentes ficam…  

essa experiência com a possibilidade da morte – e que bom que há uma chance – faz imediatamente pensar no tempo. vivemos um tempo tríplice: passado, presente e futuro. o tempo passado é presentificado pela lembrança, rememoração, memória  numa imagem, não necessariamente igual ao fato acontecido. o tempo passado se

foi, acabou; quando eu o relembro é uma re(apresentação), uma nova imagem que eu acesso. posso ativar  essa lembrança ou ela surge espontânea – são dois movimentos diversos. movimentos em que surge ou busco um fato do passado, atualizando-o numa imagem.  Aristóteles disse: “A memória é do passado.”

 presente é o instante vivido… que já se foi; e o futuro uma expectativa.

essa sensação de finitude gerada por uma doença é uma relação com o tempo. e se efetiva em negociações constantes com esse mesmo tempo – tempo futuro, o das possibilidades. mas qualquer pessoa vive com essas possibilidades: estou aqui, mas posso não estar em segundos. a negociação com o tempo,  presente ou futuro se realiza na intensidade.  intensidade de ser. viver. sentir. perceber. qualquer pessoa se indaga sobre sua vida em algum momento: ‘o que eu faria se…’ ganhasse na loto, ganhasse uma herança, etc., e são probabilidades imponderáveis. relativas. quando a doença está em seu corpo há uma realidade, um fato concreto, científico. e cabe a você decidir o que deseja.

e é então que começam  a lhe contar milagres de sobrevivências, negociações com o instante decisivo da finitude.

 imagem: inka essenhigt, http://londonist.com/2008/04/review.php

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