Sexta-feira, 30 Abril 2010

HO

helio-oiticica2… a exposição de Hélio Oiticica é uma delícia. Experimentos sem fim. Vesti Parangolés, entrei nos Penetráveis, deitei na cama  “Penetrável”  feita para mendigos dormirem na rua. Sensação estranha. Ele já não está mais aqui. A obra perdura, apesar do incêndio que destruiu parte de suas obras no Rio de Janeiro. Deitar naquela cama tosca nos leva a várias situações; a imaginação flutua no tempo. Quem seria o ” Hélio” da vez?  Lembrei de uma crônica (A mulher da rua) publicada em meu livro “Cidade Estranha” e a cama bem poderia ser a que vi descrita no texto. O destempero da vida. Pode alguém dormir na rua?

Em outra sala, ganhei uma lixa de unha para ser usada enquanto assistia a um vídeo deitada em colchonetes… como quem não quer nada… os três andares do Itaú Cultural – passagem obrigatória para quem vai a São Paulo -  integravam a ocupação de Hélio, um revolucionário. Paulo Leminski foi o último artista da  “ocupação”. Excelente exposição como tudo que ali é apresentado; se supera.  

HO, amigo de Lygia Clark com quem trocou correspondência, cravou seu nome na história da arte brasileira além de conquistar outras fronteiras com sua proposta ousada. Nascido em 1937, estudou com Ivan Serpa, participou do Grupo Frente e logo depois do Grupo Neoconcreto. Integra o grupo que elaborou o Manifesto Neoconcreto do Rio de Janeiro junto com Franz Weissmann, Amilcar de Castro, Lygia Pape, entre outros. Cria o conceito de Metaesquema, inventa os bólides, tendas, capas e estandartes fugindo do bidimensional. Escreve. Sempre. No Itaú  é possível ver sua Tropicália, manifestação ambiental. Irônicamente com pássaros vindos sabe-se lá de que país, pois no Brasil  o meio ambiente não liberou a presença de pássaros originais. Et voilà. De vez em quando a lei parece  funcionar, embora equivocadamente. Mas a intervenção-ocupação-penetrável Tropicália é curiosa e, se intriga hoje, dá para imaginar no século passado.  Cada dia um artista  está presente interagindo com o público que pode , por sua vez, complementar a obra.  E os objetos vão chegando. Um piano, parte da obra, se deixa tocar por quem quiser. Um menino vem sempre na hora do almoço, diz a guia. Todos tocam.

para saber mais: http://www.itaucultural.org.br/efemera/helio.html

HO… tem que sentir, ver, vivenciar, experimentar…  http://www.itaucultural.org.br/aplicExternas/enciclopedia/ho/home/index.cfm

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