Terça-feira, 8 Junho 2010

um filme.

va_vis_et_deviensouça: http://www.armandamar.com/french/index_d.php

Va, Vis et Deviens (Um herói de nosso tempo). Um filme de 2005, direção do romeno israelense Radu Mihaileanu, belíssimo filme. Não conseguimos desgrudar… Nove prêmios e seis indicações fazem do filme uma indicação fácil. No entanto, não sei se todos aguentam a dose de realidade. Salomão, o personagem central, um menino negro, cristão etíope de nove anos, se faz passar por judeu quando Israel reconhece como judeus, genuínos negros Falashas da Etiópia em 1980. Chegam ao Sudão a pé  e de lá são transportados para Jerusalém de avião. Sua mãe verdadeira, lhe faz partir, com a frase que dá nome ao filme: ‘Vá, viva e tranforme-se’  cuja tradução oficial não faz sentido. E ele acompanha uma outra mãe,  judia, que havia perdido seu filho que morre também. Chega só em Israel e é adotado por uma família. Sua vida é uma via crucis, uma saga e aí sim, a tradução faz jus, até certo ponto.  

Quem são os heróis de nosso tempo? Vencedores, pessoas de sucesso, pessoas que se projetam, se espetacularizam, estética antes da ética. Não é seu caso. Ele é um vencedor, sem dúvida, mas não sob os olhos de nosso tempo efêmero.  Ele vai, vive e se tranforma, como lhe disse sua mãe; volta como médico do ” Sem Fronteiras” , após uma formação em Paris, casado com  Sarah, judia que perde seu status pelo casamento. Sensível, sofre tudo que é possível um ser humano passar. A tragédia humana está presente, em suspense,  durante o filme.  A tensão equilibrada de modo sutil. 

O preconceito é nítido, ostensivo, radical. Relacionamentos diversos com amigos, autoridades, paterno, materno (sua mãe verdadeira, a adotiva), fraternais, colegas de escola…  e a saudade de sua mãe.  A dificuldade de compreensão: por que ela o teria feito partir? A carência, a falta, a perda, a raiva, a revolta, a dor, a incompreensão, a aguçada sensibilidade são elementos bem trabalhados de modo real. Salomão é universal. Somos todos Salomão. O menino que vai. Fica. E volta. Mas sua identidade é um mix paradoxal. Fala seu idioma de origem, hebraico, francês. Nasceu na Etiópia, mas vive em Jerusalém e Paris. Que terra é a sua? 

Bem… a análise fílmica fica de lado porque fui envolvida pelo enrêdo, fotografia, iluminação e, nesse emaranhado de delícias tristonhas assim como é a vida, esqueci de ver o filme enquanto filme.

Cenas: a despedida de sua mãe original; o desespero de Salomão, em Israel, ao tomar banho de chuveiro quando deseja segurar a água que escapa pelo ralo, na Etiópia ela  é escassa; quando tira os sapatos para caminhar na terra;  o reencontro com sua mãe e o grito primal.  

Sim, ele encontra sua mãe na Etiópia.

A música sugerida é o tema do filme do compositor contemporâneo Armand Amar francês de origem marroquina, nascido em Jerusalém.

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